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terça-feira, 1 de junho de 2010

Joinville - Casada há oito anos, a empregada doméstica, de 36 anos, não aguentou as ofensas e os maus tratos do segundo marido. Seus filhos foram os primeiros a sentir o temperamento duro e às vezes arredio do companheiro. A gota d'água veio depois de agressões verbais que ela sofreu. Procurou o Centro de Atendimento à Vítima de Crime (Cevic), inaugurado em Joinville há um ano pela Secretaria de Justiça e Cidadania. Agora, recebe tratamento psicológico e estuda uma ação de separação. "O Cevic me ajudou muito nesta hora difícil", diz.O nome da doméstica foi mantido em sigilo por sua própria solicitação. Não quer ser humilhada ou alimentar uma fúria ainda maior de seu atual companheiro. Já está sofrendo o suficiente. A crise no casamento começou pelos maus tratos do marido aos seus dois filhos. Aguentou os episódios, calada, sem reclamar, durante alguns anos. Até o momento em que as brigas ultrapassaram seus limites. "Não tinha a quem recorrer. É um momento difícil. Estava recebendo agressões verbais e as crianças estavam com problemas na escola. É uma barra", relata.O caso da doméstica engrossa a lista de atendimento do Cevic em Joinville. Em um ano de funcionamento foram 1.780 atendimentos. A grande maioria (95%) são mulheres que chegam no escritório denunciando a violência doméstica. Conforme o coordenador Élio João de Sousa, em média os casos são enviados pela Delegacia da Mulher. Dentro desse quesito de violência doméstica estão todos os tipos de agressão, seja física, psicológica, sexual ou simplesmente negligência. Os restantes dos atendimentos no centro são casos de abandono, acidentes de trânsito, ameaças e tentativas de homicídio. Há casos também de homens que procuram auxílio para uma separação. O atleta Carlos Roberto Sestrem, 40 anos, ficou casado por 15 anos. Segundo ele, houve maus tratos e por ser cego, a situação ficou mais grave. Sestrem recebe desde janeiro ajuda com assistência social, psicológica e jurídica. "A vantagem é que o atendimento é gratuito. Esperei muito tempo, mas agora irei entrar com a ação de separação", conta.A principal reclamação de Sousa é que as pessoas não conhecem o serviço do Cevic. Santa Catarina é o único Estado do País que conta com esse tipo de atendimento em cidades do interior. Em Joinville o atendimento ainda é tímido, segundo o coordenador. Esse fato acontece justamente devido ao pouco conhecimento da população sobre o serviço. "Embora nós sempre estejamos na mídia para informar, as pessoas desconhecem que existe um Cevic em Joinville", entende.Ao completar um ano de funcionamento o órgão trabalha das 8 ao meio-dia e das 14 às 18 horas, de segunda à sexta-feira, na rua Dona Francisca, 340, 2º andar. A equipe é formado por uma assistente social, uma psicóloga e um advogado. O telefone para contato é o 423-3435.

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